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domingo, 3 de outubro de 2010

Minha entrada no movimento Slow Food




  Muitas vezes na vida, somos brindados por grupos de convívio que nos permitem uma acolhida e uma interação por interesses comuns. Seja a escola, com nossos amigos de brincadeiras, seja um simples grupo para se esbaldar num churrasco em família, um grupo para torcer pelo time que amamos, ou um grupo de estudos na universidade, sempre formamos grupos sociais aos quais nos apegamos, uns mais, outros menos.

  Recentemente fiquei sabendo da existência do movimento Slow Food no mundo e melhor, que este movimento foi criado na Itália por Carlo Petrini para promover uma maneira mais saudável de se alimentar inclusive protegendo a sustentabilidade desta cadeia que nos serve os alimentos que necessitamos para ter saúde. Que belo propósito. Mais interessado fiquei ao saber que no Rio de Janeiro, Margarida Nogueira já coordenava um grupo interessado em conviver harmônicamente dentro desta cadeia alimentar. Nunca, em toda minha vida, eu havia me identificado tão rápidamente e apaixonadamente por um movimento como o que me ocorreu com o Slow Food. Vi que ali estão pessoas de bem, com bons princípios, bons valores e que realmente se interessam por uma causa nobre, nosso alimento e como protegê-lo em todos os níveis.

 Liguei para Margarida, pois vi em meu trabalho uma identificação imediata com as bases e propostas do movimento Slow. Nada de fast-foods e sim a volta, o resgate do prazer de alimentar-se com parcimoniosa qualidade, com alimentos feitos com os melhores ingredientes e com aquele amor, típico de nossas mães e avós. Um amor umbilical que só alguém muito próximo e que nos quer bem pode compreender e operar favorávelmente. Assim, recebi um convite, de pronto aceito, para ir ao Rio conviver por algumas horas com membros do movimento e poder durante este convívio, passar a eles um pouco do que sei na arte do pão. Disse-me ela para escolher duas receitas e fazer estes pães no nosso encontro. 

Escolhi primeiramente o Pão Integral de Linhaça, ou Pão da Salvação, não só pelo que representou para mim, mas principalmente simbólicamente osintetiza ele, a filosofia Slow pois que descansa entre 12 e 24 horas até seu consumo final, ou até mais que isto se incluirmos o tempo para que este pão esfrie adequadamente. Bingo! Fiz o Pão Integral com linhaça dourada e todos, todos mesmo, não poderia ser diferente, gostaram, não só do método como do seu paladar, aroma e inigualável textura. Venho me alimentando deste pão há quase tres anos e minha saúde está muito boa. Brindamos com Prosecco e pão integral!

  
 Outro pão, teria que representar a mesma filosofia Slow. Porquê não o delicioso Stollen de Dresden? Este pão é também um pão filosóficamente muito adequado ao movimento, pois é preferencialmente consumido numa época do ano, apenas, o Natal, muito embora à primeira prova passamos a desejá-lo sempre a qualquer tempo. Suas frutas, cerejas, passas e amêndoas devem marinar em uma mistura de rum e maraschino por vários dias. Seu preparo, segundo as rígidas normas das associações de padeiros de Dresden, deve acontecer em novembro e sua venda ou comercialização é feita no início de dezembro para que na noite de Natal após mais de um mês do início do preparo ele possa ser aquecido, polvilhado com açúcar de confeiteiro e degustado. Um pão delicioso, tão delicioso que mesmo queimando etapas e tendo que prepará-lo no nosso encontro, fugindo das normas do movimento, pois apenas com o intuito de poder passar o modo de fazer deste pão, tive que preparar a massa e assá-la em menos de duas horas, mesmo assim esta verdadeira iguaria ficou um mel.

  Estarei, a convite da mesma Margarida e deste grupo maravilhoso, responsável nos próximos dias da implantação do Convivium do movimento Slow em Petrópolis com o aval e assessoria técnica tanto da Margarida quanto de Ricardo Tammela, que foi quem me chamou para estar na FMP-FASE em Petrópolis implantando o primeiro curso de Panificação Artesanal. E quando estamos em grupos onde há gente comprometida com nobres ideais as coisas fluem muito bem. O Convivium Petrópolis vai operar exatamente dentro dos portões da FASE que irá saber, com ajuda de seu corpo técnico, docente, discentes e colaboradores como eu irradiar cultura, princípios e a boa convivência homem-alimento que tanto devemos buscar.

  Orgulho-me de ter podido ontem passar ao movimento voluntáriamente um pouco do que sei. E sei que novas idéias, novos encontros, novas aspirações ocorrerão dentro e fora do movimento, SEMPRE para o bem!

www.slowfoodbrasil.com

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O início de tudo!

  Fazer pães,à moda antiga, práticamente como o homem fazia a milhares de anos atrás. Desde que você tenha se decidido a fazê-lo, pode acreditar, o fará. E se fizer com AMOR, seguindo preceitos mínimos, segundo a filosofia Slow Food, tratando bem toda a cadeia produtiva alimentícia, voce fará pães ainda melhores e vai poder degustá-los com seus amigos, sua família e com todos que o cercam e que o querem bem.
  
  Posso lhes dizer, é um dos melhores e mais prazerosos desafios que já enfrentei. Terapia emocional pois você aprende muito bem a administrar seu tempo, controlar ansiedade, aprende com as culturas alheias e aprende a ensinar, compartilhar a sua com o mundo. Aprende com a química, a física, a geografia, a história deste tão nobre alimento, o pão.

  Mas falo aqui do bom pão, não destes pães que hoje a cultura moderna quer nos impor, cheio de tecnologias onde se consegue produção em larga escala às custas da NOSSA SAÚDE. Não, não, não, não, destes pães, afasta-te. Arregace suas mangas, escolha ingredientes saudáveis, utilize suas maiores ferramentas, aquelas que Deus lhe deu seu CÉREBRO com o dom da inteligência, suas MÃOS com o dom da habilidade  e seu CORAÇÃO, com o dom da bondade, apenas isto? Não, não, não!!
Deus nos deu os cinco sentidos. Contemple o belo pão, a bela fornada que retiraste de seu forno, seus olhos brilharão, e se encherão de lágrimas se voce for emotivo.Agora, experimente a textura do bom pão, retire pedaços do mesmo, não com uma faca, mas com suas próprias mãos. Leve este belo pedaço de pão próximo de suas narinas e sinta os aromas que dele emanam, indescritíveis. Ponha este belo pedaço de pão na sua boca, morda-o e ouça o estalar de um bom pão, um excelente pão feito por você mesmo, com os ingredientes de um bom pão apenas, ou seja, farinha, fermento biológico e uma excelente água. Agora que este pedaço de pão se encontra em sua boca, sinta o paladar único, incontestávelmente excitante, até exótico que sua lingua com as papilas gustativas nunca haviam experimentado antes, pois que outros sabores o agradavam mais, por absoluta falta de algo comparativamente muito melhor. Agora pense no bem, no grande bem que este pão estará fazendo a voce, tanto na sua saúde física quanto na emocional. É para isto que estarei aqui, para isto fiz este blog. Vou ensiná-lo a fazer um bom pão, mas quero corresponder-me com todos, pois a vida é eterno aprendizado. Segundo o mago da gastronomia Francesa Hervé This , - segredos, morrem com a gente e isto, é uma estupidez! ( em entrevista à revista Prazeres da Mesa ).

Longe de ter segredos guardados, passo aqui a vocês a receita de meu primeiro pão. Um pão integral de linhaça num método revolucionário que busquei na web meses atrás quando me faltava dinheiro às vezes por dias seguidos para ir à padaria comprar meus pães. Este pão, este método, é obra de Jim Lahey, e se denomina NO-KNEAD-BREAD, ou o pão que não necessita sova, apenas descanso longo, longa fermentação e esta fermentação prolongada, lenta, faz toda a diferença neste delicioso pão.

É um belo início, acredite e siga sua intuição, seu dom, sua habilidade e torne-se artífice de seu primeiro alimento, aquele que devemos comer todos os dias, com prazer e trazendo saúde a nós mesmos e à humanidade.

   A receita está no link abaixo e esta foto acima é o meu primeiro pão, o Pão da Salvação. Que ele possa simbólica e práticamente ser o início de uma mudança, uma revolução, uma quebra de paradigmas na vida de muita gente. Minha vida já mudou, e a sua com certeza, irá mudar, para melhor!

  Bem vindo ao blog!
  Ricardo Gonzalez